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Friday, January 16, 2009

O despertar de Ariadne


Morra Teseu !

Foi a única coisa que gritei, quando vi as velas negras do seu barco se afastando de Naxos. Que mais eu poderia dizer ? Eu que acordava ainda envolvida pelo cheiro de seus longos cabelos, com as pernas bambas de tanto sexo, que eu acreditava ser amor, e sonhava com uma vida ao seu lado.

Acordei sozinha, com areia grudada ao sexo, onde você deveria ao menos ter deixado uma semente.

Corri até a água, por um momento pensei que seu barco estivesse apenas manobrando, e que você estivesse ainda a na areia, gritei entrei, entrei no mar, nadei, mas o barco das velas negras seguiu adiante, sempre em frente para se perder no horizonte.
Corri para o ponto mais alto da ilha de Naxos, e vi a solidão que eu me encontrava, relembrei rapidamente porque me apaixonara por você, você é quem mata os touros, já atirara, um touro nos trabalhadores de uma construção, pois confundiram suas longas melenas, com os cabelos de uma virgem, matou o Astérion meu irmão, e ainda vai seguir matando touros pelo caminho. Eu sei que seu destino é matar touros, mas porque me matar de desgosto e tristeza, se sou apenas uma novilha, bisneta de outra novilha, Io, montada por Zeus; sou neta de uma mulher de touro, Europa também amada por Zeus, só que desta vez metamorfoseado em touro, e filha de Pasífae, a vaca vadia que se entregou ao touro de Possêidon.

Fui também sua vadia ? Porque então me murmuravas juras ? Porque não me deixou em Creta, onde era princesa e sacerdotisa, prometida ao touro Dionisio, me tiraste o reino e o casamento, mataste meu irmão, e me abandonas aqui com o Diadema de Afrodite, presente de núpcias de Harmonia, dado a Sémele e a mim dado por Dionisio que me jurou fidelidade eterna.

Morra Teseu, minhas pernas não mais me sustentaram quando a vela preta sumiu no horizonte. Por que existem velas negras, elas deviam ser todas brancas, e luminosas deviam refletir o sol, brilhar contra o azul do mar. Velas negras são de mau agouro, são dos que a noite furtivamente vem roubar e assaltar, negra devia ser a vela de Argos que levou Jasão na Colquida, para roubar o coração de Medeia, mas este pelo menos, durante um tempo, foi esposo e fertilizou Medeia, mas tu matador só trazes a morte, e me deixou apenas a estéril areia no meio das pernas.

Caída sem forças, murmurei minha maldição "Já que se esquecestes de mim esqueça também de trocar suas velas e mate seu pai Egeu" e segui com um rosário de todas as maldições, conjuros e todos os encantamentos falados que aprendera das velhas lavadeiras do palácio de meu pai. Falava enquanto arrastava meu corpo como uma serpente pela areia do chão, você nunca teria nenhuma mulher meu matador de touros, você as possuiria e as perderia, sua flecha matará uma mulher amada, e todas as outras, escolherão não te amar. Vai perder seu filho, vai perder amigos e sozinho, morrerás abandonado, como me deixou aqui.

Tenho certeza que um dia, você, como eu aqui, vai despertar e se sentir sozinho e vai perceber e lembrar da menina que lhe deu o fio para que você atravessasse o labirinto, vai se lembrar da princesa prometida que rompeu o noivado com um Deus, que você deixou dormindo e feliz na areia da ilha de Naxos e transformou meu despertar num pesadelo. Mas aí Teseu não haverá volta, a moira cega armada da implacável tesoura, cortará sua vida e neste arrependimento te consumirá no Hades.
Mas , que som é este ? escuto tamborins, címbalos, gritos de Evoé, é o cortejo de meu noivo que se lembrou da promessa e veio me buscar nesta hora de desespero ?

Está vendo matador de touros, o Touro é mais homem que você , ele honra o que promete !

Tuesday, December 23, 2008

O Despertar de Perséfone

Poucos imaginam a Perséfone assim como ela está aí. Loira, feliz cercada de flores sendo a verdadeira rainha da Primavera.
É mais fácil encontrar quem as imagine com os cabelos negros, soturna, imersa em trevas como a Rainha do inferno Cristão. Estes que se dizem magos e pagãos ou até mesmo bruxas, prestam serviços inestimáveis ao cristianismo e a sociedade dominadora, afinal, subvertem a mitologia e demonizam a mulher, algo que os cristãos e dominadores buscam o tempo inteiro, afinal como "Dragas" e Pecadoras é mais fácil exclui-las e domina-las.

Perséfone é filha da loura Deméter e de Zeus, que nasceu monstruosa, uma serpente com chifres e vivia em uma Caverna no interior da Terra. Ela conhecia o segredo da vida indestrutível e por isto deus se uniu a ela. Disfarçado de serpente penetrou deslizando no seio da terra, e embriagou Perséfone com sua baba e se enroscando nela apertou-a num nó, e o nó é o instrumento de Ananké (a necessidade) E a possuiu sem que ela pudesse se defender e gerou nela Zagreus o primeiro Dionisio. As duas serpentes entrelaçadas (que ornamentam o caduceu) geraram o touro o que ara com seu chifre a terra e inicia a agricultura.

Zagreus morre, é morto pelos Titãs, que atraem o menino Deus com brinquedos, e ele foge se transformando em todos os animais até que como touro é sacrificado, desce ao mundo inferior, ainda que seu coração pulse nas mãos de Atena.

Zagreus inicia o novo regime desce ao mundo dos mortos com o coração ainda vivo na terra, é agora o Zeus Ctônico, o "Invisível" Dionisio subterrâneo o Deus dos mortos.
Zagreus é Cultuado como Astérion, o Deus estrela tauricéfalo de Creta, que habita o centro do mundo subterrâneo, onde sua mãe e esposa, Perséfone/Ariadne, (somente as duas possuem o epíteto "puríssima") dança no Labirinto a dança do Grou, onde com um pé só percorre os meandros que levam de um mundo a outro, assim como o grou vai até os antípodas e volta sem se perder.

Dionisio Ctônico liberta antigas deusas do mundo subterrâneo, Hécate e outras Senhoras da Necessidade (Filhas de Urano), subvertendo o mundo de Zeus, exigindo deste a sua mãe, para governar com ele o reino do invisível, o mundo dos mortos.
Assim como Dionisio, leva o mirto de Afrodite para o mundo dos mortos para raptar sua segunda Mãe Seméle, o Dionisio Ctônico negocia a vinha e outras riquezas do seio da terra, para buscar sua mãe Perséfone. Zeus possuiu sua própria mãe transformando Reia em Deméter para gerar Perséfone e agora Dionisio Ctônico queria raptar sua própria mãe e a transformar em Coré a sua pupila, o seu olho no mundo visível, na menina que leva os tesouros do submundo para a luz.

Negociação feita, o mundo dividido, o Ctônico também se divide, e quando usa o gorro de pele de lobo que o faz desaparecer é Hades, o Invisível, e sua mãe é sua rainha, quando tira seu gorro, percorre o mundo da luz com seu cortejo de loucura enquanto sua mãe preside com Deméter o milagre da ressurreição da Terra.
Rapta Perséfone enquanto ela colhia Jacintos, assustada ela reconhece nos olhos de seu captor invisível, o amarelo dos jacintos no olho da serpente que ela havia sido um dia e Grita de terror, pois percebe que agora os mortos voltariam a viver, e que toda a vida teria um ciclo. E que ela seria a doadora desta nova vida, pois passaria um tempo no ínfero mundo, enquanto a mãe Gaia descansa mas voltaria totalmente revigorada, como o grou que volta na primavera.

Dance em espiral louvando a volta de Perséfone, dance no labirinto que mostra em seus meandros o caminho do conhecimento, o caminho do renascimento e comece uma vida nova. É possível renascer .